Que tempo nenhum me faça descrer.
Quando criança meus pais me ensinaram muitas coisas. Como muitos pais presentes e atenciosos, os meus eram extremamente preocupados com a minha educação. Com os valores que eles conseguiram me passar, e sobre os quais eu iria escolher trazer para a vida adulta. E eu trouxe. Para a alegria deles. E de todos que, de alguma forma, tiveram uma parcela no meu aprendizado.
Em casa, nós sempre tínhamos o diálogo como aliado. Era pela comunicação que chegávamos ao entendimento, ao resultado.
Quando crianças, somos protegidos de todas as maldades do mundo. Ao menos daquelas que estão diante dos olhos dos que nos amam. Cresci ouvindo meu pai dizendo: - Quem ama minha filha, adoça a minha boca. E essa frase linda e doce, cresceu junto comigo.
E não foi por acaso que hoje eu decidi escrever sobre isso. Hoje, eu quis propagar valores. Meus. Seus. E também falar sobre valores que a gente quase não vê mais por aí. Que a gente não vê. E então eu me pergunto: que mundo eu quero para os meus filhos? O que eu quero deixar pra eles?
Por certo, eu escolheria o mesmo que meus pais deixaram pra mim. Dentro de mim. O que não significa necessariamente o mundo que eu vivo. Não que eu viva num mundo diferente do seu, mas vamos lá, nossos educadores não foram os mesmos. Cada um trouxe para a sua vida, o que de mais importante e valioso supriu do que aprendeu com aqueles que fomos guiados. Por mãos, abraços, palavras.
Eu quis falar de valores porque os priorizo. Porque eu sinto que precisamos resgatá-los. Que urgentemente precisamos acordá-los dentro da gente. E quando eu falo da gente, é de mim também. Eu falo muito de mim quando escrevo. E quando eu consigo alcançar quem me lê, e quem me sente, essa pessoa acaba me tocando também. E a gente acaba se encontrando numa mesma letra. Em uma mesma nota.
Então, talvez essa seja a mensagem que eu queira deixar: o valor do outro na minha vida. E os meus valores na vida dos outros.
Expor um pouco do que eu tive quando criança e fazer esse caminhar até aqui, me aliviou. Me deixou mais leve, mais dona de mim mesma.
Eu ainda acredito. Eu ainda valorizo. Eu ainda amo. Meus valores permanecem intactos comigo. E que você nunca perca os seus. Por menores que sejam, são seus. E isso importa.
Que esse tecer me sirva de lição. Me sirva de incentivo para me aproximar, ainda mais, do meu passado. E dos valores que eu trouxe na bagagem. Pra vida.
Bibiana Benites